Na minha frente um quadro de Manabu Mabi. Sento e olho. Um casal de alemães passa perto de mim conversando, não entendo nenhuma palavra. Depois é a vez de uma família de japoneses. Muitos turistas estão visitando o MASP hoje. Levanto e ando mais um pouco. Minhas pernas começam a dar sinal de cansaço.
As pinturas barrocas me lembram as aulas de História da Arte do começo do ano, mas não dou muita importância. Estava procurando alguma coisa especial em meio a todos aqueles quadros. Fui andando e observando um por um, atrás de algo que me fizesse lembrar ela de alguma forma. Um Monet então me chama atenção, no entanto não por me identificar com o quadro, e sim por reconhecer o autor sem antes precisar ler a placa informativa. Estava lá, eram os não-traços de Monet. Um colega me disse uma vez que sua realização como cineasta seria um dia ser reconhecido como autor de seus filmes, sem que precisassem ler o seu nome nos créditos finais. Apenas olhassem e chegassem imediatamente a conclusão: “Ah! Esse só pode ser do Fernando!”. Não faço questão disso. Prefiro fazer um filme como aquele quadro que procurava e não achei naquela tarde. Para que outro um dia possa achar e ficar tocado, sem precisar tomar o conhecimento de mais nada.
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