No final da noite
infinito, infinito
segunda-feira, 14 de setembro de 2020
O planeta, aqui, é uma metáfora
Um borrão
azul esmeralda
no infinito
E só isso
Meu planeta
desapareceu
diante dos meus olhos
mais rápido do que o tempo
do jogador
que corre
pausadamente
em direção à bola
no momento inexorável
da cobrança do pênalti
domingo, 4 de agosto de 2013
Um soldado de chumbo no Vietnã
no segundo batalhão do exército
diziam
cheguei a pensar coisas assim sobre ele, muitas vezes
metal pesado, macio, maleável e mau condutor de eletricidade
tudo bem
reparava que no começo parecia desajeitado
movia as mãos feito um padre ou um italiano
os quatro primeiros meses no Haiti passaram sem problemas
sol forte, sei muito bem
ao todo foram dois tiros
certeiros em lugar nenhum, inofensivos
soldado de chumbo não atira
os dias sempre começam assim, desde que nasci, reclamava
e vão acabar assim, mesmo depois que morrer
para de reclamar, não estou, o que vai ser hoje no almoço?
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
A Moça
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Eu quero respirar para sempre
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Pedro e as Cidades
Quando enfim tudo acabou olhei para trás e senti que ainda faltava alguma coisa. O mundo inteiro estava explodindo e meus pés não se equilibravam mais como antes na calçada. O que era vento continuou sendo vento. Minha camiseta dançava conforme constantemente era soprada contra o meu corpo. Fiquei firme no chão e me preparei para voar. Onde estarão os meus brinquedos?
Barulho de chuva. Palavras carinhosas. Me escondo embaixo do cobertor. Hoje já é outro dia, mas não percebi. Quando eu e você estivermos no meio um furacão de pessoas, morde a minha boca e segure-se em mim, que é para não ser arrastada para o outro norte. Um que eu não conheça. Não procure sentido nas coisas. Onde estão meus restos?
Meus olhos estão cheios de areia. Brinquei de ser rei. Um garoto que não queria crescer entrou pela minha janela ontem a noite. Conversamos um pouco e quando nos demos conta já era quase de manhã. “Navegar”, ele ficava repetindo. Ainda naquela noite precisava passar em Moscou, Seattle, Terã, São Paulo, Hong Kong e Cabul antes de ficar claro. Dormi com a televisão ligada. Amanhã vou descalço para o supermercado.

