Quando enfim tudo acabou olhei para trás e senti que ainda faltava alguma coisa. O mundo inteiro estava explodindo e meus pés não se equilibravam mais como antes na calçada. O que era vento continuou sendo vento. Minha camiseta dançava conforme constantemente era soprada contra o meu corpo. Fiquei firme no chão e me preparei para voar. Onde estarão os meus brinquedos?
Barulho de chuva. Palavras carinhosas. Me escondo embaixo do cobertor. Hoje já é outro dia, mas não percebi. Quando eu e você estivermos no meio um furacão de pessoas, morde a minha boca e segure-se em mim, que é para não ser arrastada para o outro norte. Um que eu não conheça. Não procure sentido nas coisas. Onde estão meus restos?
Meus olhos estão cheios de areia. Brinquei de ser rei. Um garoto que não queria crescer entrou pela minha janela ontem a noite. Conversamos um pouco e quando nos demos conta já era quase de manhã. “Navegar”, ele ficava repetindo. Ainda naquela noite precisava passar em Moscou, Seattle, Terã, São Paulo, Hong Kong e Cabul antes de ficar claro. Dormi com a televisão ligada. Amanhã vou descalço para o supermercado.
